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| Com Apache_Consentimento, Sincronismo e Parceria |
Era dia 16 de junho e eu já treinava intensamente para a
maratona fazia vinte dias. Eu me sentia muito animada porque no dia seguinte,
17 de junho, eu iria participar da Maratona Internacional de São Paulo,
correndo apenas os 10 Km, mas já era com uma motivação maior. Todavia, acredito
que isso acontece no geral para todos nós corredores. A cada corrida de rua
conquistada, assim como a cada treino, a satisfação vai aumentando e ganhando
espaço dentro da gente. Naquele dia fui ver o Apache, que é meu belo cavalo
tordilho, que já ficou branco. Saímos para andar, trotar e galopar, e antes da
partida de sua casa de baias, perguntei ao seu tratador se a sela estava bem
apertada, porque o meu instrutor havia apertado a sela duas vezes naquela
semana e me disse, que todos os dias a minha sela estava ficando folgada. Nem
tão lógico assim, ele respondeu que a sela estava ótima. E eu parti. Nesse dia
estávamos na maior pista e aberta, e o Apache se assustou com um cachorro que
apareceu correndo, e ele limpou com força total para a direita, a sela rodou 90 graus, e eu caí no
chão, pela primeira vez da minha vida, numa queda de cavalo com 1.70 de
cernelho.
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| Com Marcos, um anjo da Guarda |
Com a queda aprendi que é impossível sair de um tombo desses
totalmente ilesos. Machuquei o queixo, muito internamente a boca, a cabeça e
neste caso, machuquei demais o joelho. Sai do Haras mancando com o pensamento
fixo que precisava me cuidar para correr os 10Km da corrida do dia seguinte.
Passei numa loja de materiais cirúrgicos e comprei faixa, bolsa para compressa,
e joelheira. Depois fui até a farmácia e comprei um gelo em spray para ajudar
na recuperação, que deveria acontecer em no máximo em 15 horas. E deu tudo
certo como imaginei. Fui para a corrida no dia seguinte com a joelheira e
confiante que completaria a minha corrida tranquilamente. Para completar a boa
sorte do dia, encontrei com Marcos, que me ajudou a aquecer e alongar durante
uma hora antes da prova e isso fez com que meu joelho não doesse nem um pouco
durante o percurso todo.
Passou o tempo e eu continuei com os treinos e com as
corridas de rua, até chegar o dia da Meia de Sampa, a minha segunda meia
maratona (21Km). Tive uma corrida, dentro das minhas possibilidades e dentro
das minhas experiências, que foi sensacional. Foi a melhor prova que fiz até
hoje. Terminaram os 21Km e eu nada sentia. Até que chegou o dia seguinte e até
que se passaram 48 horas.
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| Bolsa, faixa e joelheira para lesão. |
Depois de dois dias, aquela dor que senti na queda do
cavalo, voltou ainda mais intensa. Ela veio acompanhada de outras dores e somente
no lado daquele joelho. Contudo, precisei tomar uma decisão muito importante
nesta semana. Interrompi as minhas aulas de equitação – salto, e vou diminuir
bastante os meus passeios, por hora, com o meu amado gigantão Apache.
Logicamente, que as dores vieram pelo esforço repetitivo, mas não me deixaram
dúvida alguma, pelo próprio histórico que tenho que foram advindas da lesão de joelho que tive há um mês com a queda do cavalo.
A caminho de uma maratona, quando a gente se propõe a
treinar com garra e com determinação de completar os 42,195Km, da melhor
maneira que nos é possível, é preciso fazer escolhas. Escolhemos todos os dias.
Escolhemos o que comemos e o que bebemos; em que horas iremos dormir para
descansar e recuperar, em qual programa a gente vai participar (para mim, tem
sido quase nenhum além dos treinos, do filho, dos bichos e do trabalho), sobretudo, como aconteceu
comigo, quais riscos iremos nos permitir correr.
Tenho notado a cada dia que passa, que prestes a completar
dois meses de treino, eu já aprendi coisas demais. No início, achava exagero o
que lia por ai sobre maratonistas e sua rotina diária. E hoje já percebi que
escolher fazer uma maratona, é uma opção de modo de vida. É optar por uma rotina
sagrada e de máximo respeito ao nosso corpo. Pois, cada deslize como uma queda
de cavalo, pode nos custar muito caro nos treinos e nos exigir ainda mais
esforços para nos recuperar.
Enfim, nesta semana eu sigo treinando, e novamente com as
bolsas de gelos, faixas, e infelizmente com o uso de relaxante muscular. Além
de seguir sem montar o meu Apache que estou morrendo de saudades. Espero que
com mais alongamento, logo eu me recupere, e que deixe de sentir dor. Faltam
exatamente 107 dias ou 15 semanas para o grande dia.
Dia 4 de novembro, em Nova York pretendo estar,
inteira, sem dor, e pronta para os meus 42Km! E vamos que vamos, embora
treinar!
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