Início04.Nov./Home/04.IX

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Lesão Rumo à Maratona


Com Apache_Consentimento, Sincronismo e Parceria
   Era dia 16 de junho e eu já treinava intensamente para a maratona fazia vinte dias. Eu me sentia muito animada porque no dia seguinte, 17 de junho, eu iria participar da Maratona Internacional de São Paulo, correndo apenas os 10 Km, mas já era com uma motivação maior. Todavia, acredito que isso acontece no geral para todos nós corredores. A cada corrida de rua conquistada, assim como a cada treino, a satisfação vai aumentando e ganhando espaço dentro da gente. Naquele dia fui ver o Apache, que é meu belo cavalo tordilho, que já ficou branco. Saímos para andar, trotar e galopar, e antes da partida de sua casa de baias, perguntei ao seu tratador se a sela estava bem apertada, porque o meu instrutor havia apertado a sela duas vezes naquela semana e me disse, que todos os dias a minha sela estava ficando folgada. Nem tão lógico assim, ele respondeu que a sela estava ótima. E eu parti. Nesse dia estávamos na maior pista e aberta, e o Apache se assustou com um cachorro que apareceu correndo, e ele limpou com força total para a direita, a sela rodou 90 graus, e eu caí no chão, pela primeira vez da minha vida, numa queda de cavalo com 1.70 de cernelho.

Com Marcos, um anjo da Guarda
   Com a queda aprendi que é impossível sair de um tombo desses totalmente ilesos. Machuquei o queixo, muito internamente a boca, a cabeça e neste caso, machuquei demais o joelho. Sai do Haras mancando com o pensamento fixo que precisava me cuidar para correr os 10Km da corrida do dia seguinte. Passei numa loja de materiais cirúrgicos e comprei faixa, bolsa para compressa, e joelheira. Depois fui até a farmácia e comprei um gelo em spray para ajudar na recuperação, que deveria acontecer em no máximo em 15 horas. E deu tudo certo como imaginei. Fui para a corrida no dia seguinte com a joelheira e confiante que completaria a minha corrida tranquilamente. Para completar a boa sorte do dia, encontrei com Marcos, que me ajudou a aquecer e alongar durante uma hora antes da prova e isso fez com que meu joelho não doesse nem um pouco durante o percurso todo.

   Passou o tempo e eu continuei com os treinos e com as corridas de rua, até chegar o dia da Meia de Sampa, a minha segunda meia maratona (21Km). Tive uma corrida, dentro das minhas possibilidades e dentro das minhas experiências, que foi sensacional. Foi a melhor prova que fiz até hoje. Terminaram os 21Km e eu nada sentia. Até que chegou o dia seguinte e até que se passaram 48 horas.

Bolsa, faixa e joelheira para lesão.
   Depois de dois dias, aquela dor que senti na queda do cavalo, voltou ainda mais intensa. Ela veio acompanhada de outras dores e somente no lado daquele joelho. Contudo, precisei tomar uma decisão muito importante nesta semana. Interrompi as minhas aulas de equitação – salto, e vou diminuir bastante os meus passeios, por hora, com o meu amado gigantão Apache. Logicamente, que as dores vieram pelo esforço repetitivo, mas não me deixaram dúvida alguma, pelo próprio histórico que tenho que foram advindas da lesão de joelho que tive há um mês com a queda do cavalo.

   A caminho de uma maratona, quando a gente se propõe a treinar com garra e com determinação de completar os 42,195Km, da melhor maneira que nos é possível, é preciso fazer escolhas. Escolhemos todos os dias. Escolhemos o que comemos e o que bebemos; em que horas iremos dormir para descansar e recuperar, em qual programa a gente vai participar (para mim, tem sido quase nenhum além dos treinos, do filho, dos bichos e do trabalho), sobretudo, como aconteceu comigo, quais riscos iremos nos permitir correr.

   Tenho notado a cada dia que passa, que prestes a completar dois meses de treino, eu já aprendi coisas demais. No início, achava exagero o que lia por ai sobre maratonistas e sua rotina diária. E hoje já percebi que escolher fazer uma maratona, é uma opção de modo de vida. É optar por uma rotina sagrada e de máximo respeito ao nosso corpo. Pois, cada deslize como uma queda de cavalo, pode nos custar muito caro nos treinos e nos exigir ainda mais esforços para nos recuperar.

   Enfim, nesta semana eu sigo treinando, e novamente com as bolsas de gelos, faixas, e infelizmente com o uso de relaxante muscular. Além de seguir sem montar o meu Apache que estou morrendo de saudades. Espero que com mais alongamento, logo eu me recupere, e que deixe de sentir dor. Faltam exatamente 107 dias ou 15 semanas para o grande dia.

   Dia 4 de novembro, em Nova York pretendo estar, inteira, sem dor, e pronta para os meus 42Km! E vamos que vamos, embora treinar! 

Nenhum comentário:

Postar um comentário